Meu pai, meu anjo
Desde
muito pequena observava meu pai ler os jornais que trazia quando vinha do
trabalho, meu pai foi o grande incentivador para que eu e meus irmãos
aprendêssemos a ler muito cedo. Não tínhamos condições de comprar livros,
morávamos em um bairro pobre de São Paulo e hoje sei que os jornais que ele
comprava eram os mais sensacionalistas que existiam e também os mais baratos.
Meu pai estudou apenas até a 4ª série, mas devido às leituras dos jornais e
algumas revistas que ganhava dos patrões, sabia um pouco de tudo. Lembro-me de
ver as pessoas o procurarem para saber sobre os mais variados assuntos e quando
nos mudamos para o interior de São Paulo, ele fazia contas de terras, auxiliava
nos pagamentos dos trabalhadores rurais e sempre entendia de política e
economia, era um sábio entre nossos amigos e familiares. Nesta época deparei-me
com uma biblioteca bem completa na escola e todos os livros que lia, meu pai
lia também, acompanhou-me até a faculdade (letras), leu todos os grandes
clássicos que eu li e auxiliava uma amiga com a faculdade de história, pois
lembrava-se de fatos importantes de tempos antigos. Meu pai não pode continuar
os estudos, hoje existem muitas possibilidades que não existiam.
Sei que devo muito à ele o gosto que
tenho pela leitura, ele foi um anjo que muitas crianças deveriam ter em suas
vidas. Existem muitos anjos capazes de mostrar às crianças esse mundo
maravilhoso que existe em um livro. Muitos deles estão nas escolas, mas ainda
não entenderam o poder que possuem, que podem com simples gestos abrir muitos
horizontes e possibilidades na vida de muitas crianças.
Elaine
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